segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Anyplace is better, Starting from zero got nothing to lose


Gosto tanto desta música e da voz dela.

Acho que me devo apresentar


Quando criei um blogue, há cerca de 5 anos atrás, a blogosfera era totalmente diferente. As pessoas na blogosfera também eram diferentes (e até me refiro aqui a pessoas que continuaram com os seus blogues e que ficaram irreconhecíveis).

Nessa altura, embora escrevesse muito no meu blogue (que, aliás, eera quase todo dedicado ao tema "cancro") eu não era mais do que uma espectadora dos outros blogues. Não os comentava (mas seguia-os) e não queria que o meu blogue fosse conhecido, queria só que as pessoas "certas", com os mesmos problemas que eu ou com familiariedade no tema, chegassem ao meu blogue. Foi assim durante 4 anos e depois fechei-o uns meses, quase um ano, depois da minha última operação.

Então mas foste operada, é isso? Fui, várias vezes já. Tudo começou quando tinha 17 anos e me achava o máximo (verdade que achava). Tinha um cabelo bonito e bem tratado, tinha uma cara normal e sem borbulhas (o que nessa idade conta como uma cara fabulosa), tinha o que eu achava serem as roupas da moda e até tinha boas notas (baixas-médias-altas). Depois, no dia 5 de Março, numa aula de Português, enquanto apoiava a cabeça nas mãos e tentava concentrar-me na análise do poema que a velhinha professora Filipa dizia, descobri, pelo toque no pescoço, que sentia uns nodulozinhos debaixo da cara, onde muitas pessoas têm "papos" de gordurinha armazenada. Com a idade que tinha, não liguei muito àquilo e pus-me a rabiscar coisas no caderno e nas bordas do livro de Português.
À noite, ao jantar, comentei isso com a minha mãe (médica e viúva - portanto não havia pai a quem contar) e ela, ao apalpar, fez um ar preocupado, mas não muito. Disse que podia ser qualquer coisa de muito simples e insignificante, mas que eu ia fazer exames. Lá fui eu, no dia seguinte, fazê-los. Depois, não pensei mais no assunto, ao contrário da minha mãe que andava todos os dias a ver com os colegas se já tinha saído o resultado. Quando o resultado veio, a minha mãe estava sentada no gabinete com a médica que me ia dizer o resultado e olharam para mim com um olhar de pena. Nunca me hei-de esquecer desse olhar (dificilmente se esquece o olhar de pena das pessoas quando sabem que temos cancro). 

A minha mãe disse que eu ia ser tratada (conversa de mãe à mistura, que ia tudo ser fantástico e correr bem) e depois nessa noite apanhei-a no quarto a chorar e soube que eu estava em maus lençóis. 

Desde aí até hoje, tive 4 recidivas e a prová-lo tenho um meu pescoço cheio de cicatrizes (e o coração também que já passou ali as passinhas do Algarve).

Depois disto tudo, desde a última operação, olhei para o meu blogue e achei-o triste e fechei-o. Queria começar de novo. Estou aqui a começar a de novo. Vamos a ver como corre.

sábado, 26 de novembro de 2011

Começo com o final de Novembro


E para além do fim de Novembro (que por acaso calha ser o meu mês preferido, devido a todas as datas mais felizes da minha vida terem calhado neste mesmo mês) começo mesmo antes do mês de Dezembro. Adoro o Natal. Adoro porque faz-me lembrar sempre de quando era menina e me punha nas escadas de mármore da casa dos meus pais à espera da meia-noite e do "pai natal". E nem era para lhe pedir os presentes (que eu até só recebia dois) era mesmo para lhe pedir para me deixar andar de trenó por cima dos telhados.