Gostava de ir hoje mesmo para Nova Iorque! Só estive lá uma vez e soube-me tão a pouco... Aquela cidade não pára, há sempre lojas lindas novas, sempre ruas lindas novas. Quero Nova Iorque... Viena está a ficar tão cinzenta... Precisava das cores de Nova Iorque.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
As operações e as amigas
Nas operações que fiz até hoje, tive sempre pessoas ao meu lado antes de eu entrar na sala de cirurgia e quando saí. Nunca estive sozinha (e dou graças a Deus por isso, pois deve ser um sentimento muito complicado). Apesar de receber visitas da família, sempre rejeitei a ideia de todas as pessoas que conheço me irem ver ao hospital. Achava forçado, achava até que isso me dava sentimentos mórbidos, como se eu estivesse às portas da morte e se fossem despedir de mim, um de cada vez. Por isto mesmo, em todas as operações, só quis a minha mãe comigo (que para além de fazer o seu papel de mãe, fez sempre o de médica) e as minhas amigas. Nas primeiras operações, levei amigas com quem estava mais na altura. Uma delas, que era e é uma das minhas melhores amigas, passava as minhas operações a chorar. Antes de eu entrar na sala de operações, aliás, antes de eu chegar ao hospital, já ela ia a chorar. Aquilo sempre me incomodou e muito, porque me fazia sentir que eu estava realmente a morrer e que era o fim. Aquele dramatismo todo tirava-me a alegria de viver e o positivismo que é preciso nestas situações. Ela repetiu o comportamento em todas as minhas operações. Até que um dia eu achei que, em vez de ajudar, ela desajudava, ainda que não fosse por mal. Nas minhas duas últimas operações, fui com as minhas duas outras amigas que sempre me acompanharam e soube-me bem. Não fizeram dramas. Se choraram, souberam disfarçar a lagriminha no canto do olho. Fizeram-me sentir bem. Fizeram-me sentir tão bem que, coincidência ou não, recuperei muito mais depressa, senti-me melhor muito mais depressa e as operações não custaram praticamente nada a passar.
Por isso digo sempre, cercarmo-nos de pessoas fortes e positivas é o melhor que podemos fazer por nós mesmos.
Adoro pessoas esforçadas
Adoro pessoas trabalhadoras, que trabalham com gosto, que se queixam de vez em quando do cansaço mas que lá no fundo, adoram o trabalho e o que fazem. Nunca suportei pessoas que passam o dia a atirar com o trabalho para cima dos outros ou que se fazem de coitadas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
As grávidas deste mundo
Não sei bem porquê, mas não gosto de ver mulheres grávidas a exporem as suas barrigas ao mundo inteiro. Fotos close-up de uma barriga que concebe um bebé acho que deve ser algo privado. Totalmente de acordo que façam álbuns fotográficos para recordarem em família dos meses de gestação, mas totalmente em desacordo que exibam as barrigas. Acho que não é necessidade. O estado de gravidez pode ser um estado lindíssimo no qual a mulher se sente maravilhosa e linda e não se importa com as suas formas, mas é muitas vezes usado como razão para determinados comportamentos. Quantas e quantas vezes já vi mulheres grávidas bem dispostas num café a conversarem com amigos e depois passarem à frente uma fila de pessoas só porque não lhes apetece esperar? Quantas e quantas vezes é que já vi todos os meses de gravidez de todas as mulheres que tenho nos contactos do Facebook? As ecografias, os pêlos na barriga, a barriga vista de lado, de cima, de baixo, da esquerda e da direita. Antigamente todas essas coisas especiais cabiam num álbum de família, cabiam num momento íntimo entre o casal e os pais de ambos. Viam-se as ecografias, dava-se uma festa na barriga. Hoje em dia não. Hoje em dia todos os contactos da pessoa sabem ao detalhe o formato da barriga da futura mãe. Todos sabem de todas as ecografias. Todos sabem o formato dos pés que incharam tanto, porque também há fotos disso. Todos sabem que as mãos ficaram maiores, que o peito triplicou, porque também há fotos disso. Pedem-se sugestões de nomes para o bebé em estados do Facebook. Já vi estados de mulheres grávidas que dizem em tempo real que estão quase a entrar para a décima ecografia. Consigo perceber a necessidade de contar ao mundo inteiro uma coisa tão boa, mas não consigo perceber a nova necessidade de ter de tornar a gravidez tão pública. De repente as fotos de perfil são todas da barriga. Já não podemos identificar a mulher pela cara: ah este é tão o sorriso da Filipa, ai que giro o cabelo da Rita nesta foto. Temos de a identificar pela barriga e muitas vezes, quase sempre, não identificamos. Só pelo nome. Porque na imagem só aparece uma barriga. E há barrigas e barrigas. Há barrigas lindas e há barrigas não tão lindas assim... E há peitos e peitos. Há peitos que até podem constar na foto sem roçar o ordinário, e há outros que quando aparecem e em anglos ainda por cima vistos de cima, parece que entrámos num perfil pouco ortodoxo. Depois também não entendo a necessidade de, quando o bebé nasce, a foto de perfil deixar de ser a barriga e passar a ser o bebé. Parece nós que entrámos no perfil do bebé e não da mãe. Porque não criar um álbum lindo com as fotos do bebé, com legendas queridas, primeiro banho, primeira muda de fraldas (se quiserem), primeira birrinha. Ok. Isso até consegue ser querido. Agora a pessoa deixar de ter individualidade? Ai isso não. Ainda por cima deixando a carinha laroca do bebé tão exposta a tudo o que é gente na internet.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
É por isso que comigo, não gastem muito dinheiro
Gosto de vinho, que gosto e sou boa apreciadora, mas não tão boa assim. Darem-me a provar o tal Vintage Noval Nacional 1963 avaliado por 5570€ cada garrada era uma desperdício. Apanhava uma piela e podia dizer-vos que sabe ao mesmo que o embalado em pacote por 1.5€.
O mundo "cor-de-rosa"
(Kelly Rutherford num vestido Dior e o charmoso irresistível Matthew Settle: que belo conjuntinho)
As pessoas que lêem revistas cor-de-rosa, dividem-se em dois grandes grupos: A) as pessoas que utilizam as revistas como terapia e B) as pessoas que vivem em função da vida dos que aparecem nessas revistas.
As pessoas A sabem perfeitamente que nada ganham ou perdem ao lerem revistas cor-de-rosa. Na verdade as pessoas A lêem essas revistas para tirarem partido delas como uma terapia. Em vez de irem fazer reiki ou meditação ou enfiarem-se no cabeleireiro para terem cusquices à borla, as pessoas A lêem as novidades e rumores dos famosos e deliciam-se a ver fotografias e a comentar mentalmente ou em voz alta, as roupas, as pernas, os penteados e as caras. É tão relaxante.
As pessoas B não sabem que não ganham nada ao lerem revistas cor-de-rosa e todas as semanas compram, pelo menos em média, quatro revistas. Se formos a perguntar a uma pessoa dessas a que horas é que alguém do jet set sai do banho, elas podem muito bem saber e até incharem de orgulho. Ali ficam elas, a comentar com alguém ao lado, que alguém do jet set perdeu 11kg como se estivessem a falar dos filhos, irmãos e pais, pois o entusiasmo é o mesmo, ou maior ainda. Já vi pessoas B com os olhos a cintilarem, só de falarem das cusquices que leram.
Se pusermos uma pessoa A e uma pessoa B a dizer a mesma coisa, dá-se mais ou menos assim:
pessoa A: "A não sei das quantas separou-se"
pessoa B: "A não sei das quantas pôs os corninhos no marido, uiiiiiii, e já deve andar com um milionário, que aquilo é só roupas caras. Ainda anteontem apareceu numa festa no Algarve a comer caviar com um de óculos. Mas também é bem feita para o marido que andou naquele vai não vai agora olha, pode ser que acorde."
Eu sou pessoa A. Uso as revistas como terapia e nunca tive vergonha disso. Mas se as puder não comprar e lê-las em qualquer lado, ainda melhor.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Acho que me devo apresentar
Quando criei um blogue, há cerca de 5 anos atrás, a blogosfera era totalmente diferente. As pessoas na blogosfera também eram diferentes (e até me refiro aqui a pessoas que continuaram com os seus blogues e que ficaram irreconhecíveis).
Nessa altura, embora escrevesse muito no meu blogue (que, aliás, eera quase todo dedicado ao tema "cancro") eu não era mais do que uma espectadora dos outros blogues. Não os comentava (mas seguia-os) e não queria que o meu blogue fosse conhecido, queria só que as pessoas "certas", com os mesmos problemas que eu ou com familiariedade no tema, chegassem ao meu blogue. Foi assim durante 4 anos e depois fechei-o uns meses, quase um ano, depois da minha última operação.
Então mas foste operada, é isso? Fui, várias vezes já. Tudo começou quando tinha 17 anos e me achava o máximo (verdade que achava). Tinha um cabelo bonito e bem tratado, tinha uma cara normal e sem borbulhas (o que nessa idade conta como uma cara fabulosa), tinha o que eu achava serem as roupas da moda e até tinha boas notas (baixas-médias-altas). Depois, no dia 5 de Março, numa aula de Português, enquanto apoiava a cabeça nas mãos e tentava concentrar-me na análise do poema que a velhinha professora Filipa dizia, descobri, pelo toque no pescoço, que sentia uns nodulozinhos debaixo da cara, onde muitas pessoas têm "papos" de gordurinha armazenada. Com a idade que tinha, não liguei muito àquilo e pus-me a rabiscar coisas no caderno e nas bordas do livro de Português.
À noite, ao jantar, comentei isso com a minha mãe (médica e viúva - portanto não havia pai a quem contar) e ela, ao apalpar, fez um ar preocupado, mas não muito. Disse que podia ser qualquer coisa de muito simples e insignificante, mas que eu ia fazer exames. Lá fui eu, no dia seguinte, fazê-los. Depois, não pensei mais no assunto, ao contrário da minha mãe que andava todos os dias a ver com os colegas se já tinha saído o resultado. Quando o resultado veio, a minha mãe estava sentada no gabinete com a médica que me ia dizer o resultado e olharam para mim com um olhar de pena. Nunca me hei-de esquecer desse olhar (dificilmente se esquece o olhar de pena das pessoas quando sabem que temos cancro).
A minha mãe disse que eu ia ser tratada (conversa de mãe à mistura, que ia tudo ser fantástico e correr bem) e depois nessa noite apanhei-a no quarto a chorar e soube que eu estava em maus lençóis.
Desde aí até hoje, tive 4 recidivas e a prová-lo tenho um meu pescoço cheio de cicatrizes (e o coração também que já passou ali as passinhas do Algarve).
Depois disto tudo, desde a última operação, olhei para o meu blogue e achei-o triste e fechei-o. Queria começar de novo. Estou aqui a começar a de novo. Vamos a ver como corre.
sábado, 26 de novembro de 2011
Começo com o final de Novembro
E para além do fim de Novembro (que por acaso calha ser o meu mês preferido, devido a todas as datas mais felizes da minha vida terem calhado neste mesmo mês) começo mesmo antes do mês de Dezembro. Adoro o Natal. Adoro porque faz-me lembrar sempre de quando era menina e me punha nas escadas de mármore da casa dos meus pais à espera da meia-noite e do "pai natal". E nem era para lhe pedir os presentes (que eu até só recebia dois) era mesmo para lhe pedir para me deixar andar de trenó por cima dos telhados.
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