domingo, 11 de dezembro de 2011

As operações e as amigas

Nas operações que fiz até hoje, tive sempre pessoas ao meu lado antes de eu entrar na sala de cirurgia e quando saí. Nunca estive sozinha (e dou graças a Deus por isso, pois deve ser um sentimento muito complicado). Apesar de receber visitas da família, sempre rejeitei a ideia de todas as pessoas que conheço me irem ver ao hospital. Achava forçado, achava até que isso me dava sentimentos mórbidos, como se eu estivesse às portas da morte e se fossem despedir de mim, um de cada vez. Por isto mesmo, em todas as operações, só quis a minha mãe comigo (que para além de fazer o seu papel de mãe, fez sempre o de médica) e as minhas amigas. Nas primeiras operações, levei amigas com quem estava mais na altura. Uma delas, que era e é uma das minhas melhores amigas, passava as minhas operações a chorar. Antes de eu entrar na sala de operações, aliás, antes de eu chegar ao hospital, já ela ia a chorar. Aquilo sempre me incomodou e muito, porque me fazia sentir que eu estava realmente a morrer e que era o fim. Aquele dramatismo todo tirava-me a alegria de viver e o positivismo que é preciso nestas situações. Ela repetiu o comportamento em todas as minhas operações. Até que um dia eu achei que, em vez de ajudar, ela desajudava, ainda que não fosse por mal. Nas minhas duas últimas operações, fui com as minhas duas outras amigas que sempre me acompanharam e soube-me bem. Não fizeram dramas. Se choraram, souberam disfarçar a lagriminha no canto do olho. Fizeram-me sentir bem. Fizeram-me sentir tão bem que, coincidência ou não, recuperei muito mais depressa, senti-me melhor muito mais depressa e as operações não custaram praticamente nada a passar. 

Por isso digo sempre, cercarmo-nos de pessoas fortes e positivas é o melhor que podemos fazer por nós mesmos.

Sem comentários:

Enviar um comentário