Não sei bem porquê, mas não gosto de ver mulheres grávidas a exporem as suas barrigas ao mundo inteiro. Fotos close-up de uma barriga que concebe um bebé acho que deve ser algo privado. Totalmente de acordo que façam álbuns fotográficos para recordarem em família dos meses de gestação, mas totalmente em desacordo que exibam as barrigas. Acho que não é necessidade. O estado de gravidez pode ser um estado lindíssimo no qual a mulher se sente maravilhosa e linda e não se importa com as suas formas, mas é muitas vezes usado como razão para determinados comportamentos. Quantas e quantas vezes já vi mulheres grávidas bem dispostas num café a conversarem com amigos e depois passarem à frente uma fila de pessoas só porque não lhes apetece esperar? Quantas e quantas vezes é que já vi todos os meses de gravidez de todas as mulheres que tenho nos contactos do Facebook? As ecografias, os pêlos na barriga, a barriga vista de lado, de cima, de baixo, da esquerda e da direita. Antigamente todas essas coisas especiais cabiam num álbum de família, cabiam num momento íntimo entre o casal e os pais de ambos. Viam-se as ecografias, dava-se uma festa na barriga. Hoje em dia não. Hoje em dia todos os contactos da pessoa sabem ao detalhe o formato da barriga da futura mãe. Todos sabem de todas as ecografias. Todos sabem o formato dos pés que incharam tanto, porque também há fotos disso. Todos sabem que as mãos ficaram maiores, que o peito triplicou, porque também há fotos disso. Pedem-se sugestões de nomes para o bebé em estados do Facebook. Já vi estados de mulheres grávidas que dizem em tempo real que estão quase a entrar para a décima ecografia. Consigo perceber a necessidade de contar ao mundo inteiro uma coisa tão boa, mas não consigo perceber a nova necessidade de ter de tornar a gravidez tão pública. De repente as fotos de perfil são todas da barriga. Já não podemos identificar a mulher pela cara: ah este é tão o sorriso da Filipa, ai que giro o cabelo da Rita nesta foto. Temos de a identificar pela barriga e muitas vezes, quase sempre, não identificamos. Só pelo nome. Porque na imagem só aparece uma barriga. E há barrigas e barrigas. Há barrigas lindas e há barrigas não tão lindas assim... E há peitos e peitos. Há peitos que até podem constar na foto sem roçar o ordinário, e há outros que quando aparecem e em anglos ainda por cima vistos de cima, parece que entrámos num perfil pouco ortodoxo. Depois também não entendo a necessidade de, quando o bebé nasce, a foto de perfil deixar de ser a barriga e passar a ser o bebé. Parece nós que entrámos no perfil do bebé e não da mãe. Porque não criar um álbum lindo com as fotos do bebé, com legendas queridas, primeiro banho, primeira muda de fraldas (se quiserem), primeira birrinha. Ok. Isso até consegue ser querido. Agora a pessoa deixar de ter individualidade? Ai isso não. Ainda por cima deixando a carinha laroca do bebé tão exposta a tudo o que é gente na internet.

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